Os novos caminhos para adentrar ao universo de T.I

Você sabia? A maneira como trabalhamos está se transformando e a universidade já não é mais o único caminho para a qualificação profissional

Texto produzido em parceria com a Logo da EBAC

A mudança tecnológica, as transições da indústria e a globalização estão afetando os empregos. Com isso, as habilidades necessárias para assumir diferentes posições, em especial na área de tecnologia, também estão se ajustando. 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que 1,1 bilhão de empregos podem ser radicalmente transformados pela tecnologia na próxima década. 

Essa mudança já é perceptível em nosso cotidiano: pense na equipe do seu restaurante favorito que já realiza os pedidos em um tablet conectado à cozinha por uma central de processamento. 

Este sistema não pode ter falhas para que o restaurante possa funcionar tranquilamente e os pedidos sejam entregues corretamente aos clientes. 

Pense também nas lojas onde você costuma fazer compras online. Elas precisam manter o sistema em funcionamento ininterruptamente.

Essas lojas mantêm seu histórico: com os dados das suas últimas compras, suas preferências ou até mesmo o tamanho do vestuário que escolheu anteriormente.

 Essas informações são dados que vão além do já rotineiro, como o endereço, e-mail, telefone e dados fiscais (como o CPF e data de nascimento) que todo e-commerce ou empresa prestadora de serviço armazena de seus clientes. 

Se por um lado entregamos tantos detalhes, do outro, cada empresa deve se comprometer a proteger essas informações por meio de operações de segurança cibernética.

Com as novas tecnologias, surgem novas oportunidades

Tudo isso envolve novas tecnologias e soluções, que impactam a qualificação dos profissionais e também aquecem o mercado. 

Em 2019, a Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais) previa que 420 mil vagas seriam abertas na área de TI em seis anos no país. 

Só nos primeiros meses de 2021, 52.743 novas vagas foram abertas, de acordo com o relatório “Monitor de Empregos e Salários” da entidade. 

Para suprir o setor, deveriam ser contratados uma média de 70 mil profissionais até 2024. O problema é que, no Brasil, apenas 46 mil profissionais anualmente se formam no ensino superior com perfil tecnológico. 

Uma das explicações possíveis para essa escassez profissional é a educação. 

Explicamos: a maioria das instituições universitárias seguem um modelo de ensino engessado e muitas vezes desatualizado com as práticas exigidas pelo mercado, que está em constante mudança. 

Oferta e demanda de profissionais de tecnologia

O World Economic Forum (WEF), pelo projeto Reskilling Revolution, lançado em janeiro de 2020, chamou atenção para um detalhe importante: para que as pessoas mantenham seus empregos e tantas outras sejam recolocadas, é preciso que desenvolvam as competências essenciais para suprir a demanda para se adaptar ao mercado e para as chamadas profissões do futuro até 2025. 

São profissões como Inteligência Artificial (AI), bem como novas funções em engenharia, computação em nuvem e desenvolvimento de produtos.

A necessidade de habilidades para uma transição de carreira 

O reskilling é como o WEF chama a emergência necessária de capacitar a força de trabalho para atender aos 133 milhões de novos empregos que serão criados na chamada “Quarta Revolução Industrial” (ou Indústria 4.0). 

Essa revolução é notória pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas que estimulam novos modelos de negócios, formas de trabalho e habilidades. Aqui vale uma breve explicação: o termo reskilling se refere ao aprendizado de habilidades para uma transição de carreira.

De acordo com o relatório Jobs of Tomorrow do WEF, haverá um aumento na procura pelas profissões em Inteligência Artificial, engenharia, computação em nuvem e desenvolvimento de produtos (já mencionadas neste artigo), que estão na vanguarda da economia. No entanto, se as tendências atuais continuarem, os programas de aprendizado desatualizados tornarão ainda maior a incompatibilidade de habilidades no futuro. 

Uma análise da PriceWaterhouseCoopers (PwC), multinacional de consultoria e auditoria, concluiu em um estudo, feito com mais de 200 mil empregos e em 29 países, que profissionais de funções mais manuais ou operacionais serão substituídos por empregos que requerem uma combinação de habilidades técnicas, digitais e sociais. E os empregos “do futuro” precisam de talentos com habilidades que, atualmente, podem ser aprendidas mesmo por quem não tem diploma universitário. 

Entendendo o que são habilidades e quais são as mais valorizadas

Por habilidades, entende-se a qualidade de uma pessoa hábil, a capacidade para fazer alguma coisa. É o famoso “saber fazer”. Ou ainda, como indica o escritor norte-americano Robert Lee Katz, autor de Skills of an Effective Administrator, são as habilidades que transformam conhecimentos em ações para chegar a determinado objetivo. Nessa linha, Patrícia Bernardi, Talent Acquisition da EBAC Online, esclarece que a pessoa habilidosa sabe fazer algo e tem o comportamental e a motivação para fazer.

Na prática, como exemplo, é alguém que sabe usar um excel, coloca em prática esse conhecimento e tem a motivação para fazê-lo. Se a pessoa sabe usar o programa, mas não coloca isso em prática, pode-se dizer que ela tem o conhecimento, mas não a habilidade.

De acordo com as categorias definidas pelo estudo da PwC, mencionado no início deste artigo, as habilidades são divididas em dois tipos: hard skills e soft skills.

  • hard skills são aquelas que podem ser mais facilmente adquiridas por meio de cursos, treinamentos, leituras, etc. Também conhecidas como habilidades técnicas, abrangem o conhecimento e a capacidade de executar e realizar tarefas dentro de uma área específica. É a habilidade em uma determinada plataforma de comunicação, a fluência em um idioma específico, a capacidade de programar em uma linguagem de programação X. 
  • soft skills são as habilidades comportamentais (ou sociais) e têm relação com o nosso dia a dia. É a capacidade de comunicação, ter flexibilidade, habilidade de trabalhar em equipe, etc. Conforme aponta Patrícia, de tempos em tempos, algumas habilidades sociais ficam mais em evidência que outras. No entanto, ter bons relacionamentos e saber receber feedbacks são habilidades imprescindíveis, independente da carreira ou cargo. “Saber se relacionar é muito importante, pois ninguém trabalha sozinho”, explica.

Nenhuma habilidade pode ser adquirida apenas uma vez, seja ela técnica, digital ou comportamental, são questões que devem estar em constante evolução. 

Em especial, no segmento de tecnologia, esse movimento é ainda mais rápido. Patrícia afirma que cientistas de dados, profissionais de segurança da informação e programação são algumas das funções e áreas que mudam em muito pouco tempo. Em um ano, é possível ficar obsoleto em uma ferramenta ou linguagem de programação, por exemplo. 

Um novo modelo de qualificação que vai além das faculdades

O déficit de profissionais qualificados no mercado aumenta a importância dos cursos de curta e média duração. No estudo da Brasscom de 2019, a instituição avalia que as empresas deveriam buscar candidatos sem que a fluência em inglês e curso superior fossem desclassificatórios. Segundo o WEF, serão as habilidades aprendidas, e não os títulos acadêmicos, que irão moldar o futuro do trabalho.

“O diploma universitário ainda é muito importante em alguns segmentos de TI, mas existem empresas mudando, considerando mais a experiência prévia. Muitas selecionam candidatos que ainda estão finalizando a graduação para vagas de pleno e até sênior, principalmente se já tem alguma bagagem”, diz Roberta Fernandes de Souza, Tech Recruiter Specialist/Team Lead, de São Paulo, ao blog da EBAC Online

“Existem profissionais tão aptos quanto alguém com formação superior; há muitos com uma trajetória profissional, com certificações específicas que os habilitam em determinados segmentos. Às vezes algo aconteceu na vida daquela pessoa e foi preciso trancar a faculdade, por exemplo. Existem outras maneiras de ter uma formação que não seja só a graduação.” 

Mas é preciso dizer que há ainda empresas com uma visão mais tradicional que fazem questão da graduação. Ainda assim, para Roberta, que atua há 17 anos como Tech Recruiter, a área de IT está ficando mais flexível e mudando bastante. 

“Varia bastante de acordo com o segmento do cliente. Bancos e algumas indústrias são mais inflexíveis do que nos pedem, mas as chances de quem está atualizado, fazendo cursos, pode ser igual ou maior frente a um candidato que se formou em uma universidade, mas parou no tempo”, finaliza a Tech Recruiter.

Por tudo o que foi apresentado aqui, é evidente que está em curso uma importante mudança na forma de encarar as habilidades no mercado de trabalho, no segmento da tecnologia. Ao tirar o foco dos diplomas e apontá-los para as habilidades, capacitamos uma força de trabalho maior e que representa a diversidade da nossa população. É também a solução para fechar as lacunas de oportunidades e empregos. 

Mas esse é um caminho que não depende apenas das empresas. Depende de uma transição para uma infraestrutura de educação e emprego baseada em habilidades e que abraça não apenas credenciais e certificação, mas aptidão para o trabalho e emprego como resultados. E no mercado de tecnologia já existem boas opções de escolas e instituições de ensino que através de cursos profissionalizantes de qualidade, preparam os profissionais para a empregabilidade, para o que está sendo absorvido pelo mercado de trabalho.

E você, como pessoa em busca de melhores oportunidades: está se qualificando de modo a atender essa nova visão do mercado?

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